domingo, 5 de dezembro de 2010

Você tem fome de quê?

Foto: Stella Soares - Rolling Stone
                     Uma das praças de alimentação no horário mais "calmo"

Ao ler as linhas a seguir, você pode achar que eu reclamo demais. Mas vou explicar. Independente da visão jornalística adquirida ao longo de anos de profissão e academia e, por isso, treinada para ver “o mosquito do cocô do cavalo do bandido que não entrou em cena”, existem coisas realmente inadmissíveis pra mim.
Não gosto de “propaganda enganosa” e muito menos de promessas não cumpridas. Falo aqui da estrutura de alimentação do camping premium e da Arena Maeda durante o SWU e faço um pequeno corte temporal na minha saga gonzo para um post inteiramente dedicado às falhas que vi durante o evento.
A começar pela tal loja de conveniência do camping, sobre a qual falei no post intitulado A verdade inconveniente e o “santo” helicóptero, comer no SWU foi uma aventura à parte. Quem teve tempo e disposição para ir a pé (e era longe) ou esperar o tal trenzinho que levava a galera até o pesqueiro Maeda, onde havia uma ampla estrutura de alimentação, ao lado acampamento comum, não “passou fome”. Mas eu e o Robinho, cansados de fila, fila, fila e fila, chegamos ao terceiro dia literalmente enfastiados com aquela repetição gastronômica: churrasquinho; pizza; churrasquinho; cachorro quente; churrasquinho; sanduíche; churrasquinho...aff.
Sobre o tempo, uma observação. Como participei do Fórum Global de Sustentabilidade, tinha horário a cumprir T O D O S os dias. Calculava o tempo que iria perder na fila do banho para me arrumar a tempo de passar pelo credenciamento diário (onde “ganhei" uma pulseira de cor diferente todo dia, um tremendo desperdício de TEMPO e material) e chegar a tempo de acompanhar, desde o início, o ciclo de palestras.
Aliás, não queria me preocupar com o tempo – afinal, estava em um evento dito sustentável e queria que meu tempo assim o fosse –, mas fiquei literalmente escrava dele e isso me irritou muito. E nisso incluo o enorme tempo gasto em filas para comer – e mal.
No primeiro dia de festival, vi algumas cenas engraçadas e outras embaraçosas. A praça de alimentação próxima à tenda eletrônica era, na verdade, uma sequência grandes barracas onde estavam instalados, da esquerda para a direita: bebidas quentes e geladas de um grande patrocinador; comida natural; pizza; lanche; churrasquinho e refrigerantes/cerveja. E, com exceção do “restaurante” de comida natural, todas as demais “praças” de alimentação eram iguais. Ah...havia pastel também.
Primeira tentativa – 09/10/10
Já é noite e estamos famintos (até o momento, no estômago, só o lanchinho sem vergonha do meio da tarde). Vamos até a tal “praça de alimentação” e vemos o caos: empurra-empurra, gente se espremendo com fichas nas mãos e muita reclamação. Somos informados por um casal de que as fichas acabaram e devemos nos deslocar até a outra praça, na direção completamente oposta de onde estamos (cerca de uns 300 metros, não sei ao certo).
Vou até o “restaurante natural” louca para saborear um yakisoba, mas sou informada de que acabou a comida (só havia salgados). E assim acontece nos outros quiosques. Falta isso, aquilo, “não tem mais nada”, “só tem de tal sabor e tá acabando”.  Quando, enfim, conseguimos as tais fichas, após enfrentar uma longa e demorada fila, Robinho entra no bolo humano cheirando a cueca, onde é encoxado e espremido entre os machos famintos, e espera paciente e preocupadamente. Espera por cerca de vinte minutos até receber a comida: dois churrasquinhos e uma batatinha frita que, por sinal, estão muito saborosos.  
Detalhe importante: não pudemos comprar as fichas com cartão de crédito/débito, pois fomos informados de que o “sistema está fora do ar”. Interessante. Por que o cartão funciona perfeitamente nas lojas de merchandising do SWU? Mistério... Fiquei preocupada com as pessoas que tinham levado pouco dinheiro. Se virar no SWU sem “breu”, como diz meu namorado, é simplesmente impossível.
Percebo que a sustentabilidade econômica proposta pelos organizadores do festival não está funcionando muito bem na prática. Ótimo contratar empresas da região de Itu para servir a comida, fazer a segurança, etc. Certíssimo. Mas faltou logística. A conta é simples. Se eu tenho 50 mil pessoas e posso produzir 10 mil pizzas, por exemplo, quanta mão-de-obra e maquinário devo empregar para entregar todas as pizzas em nove horas de festival de forma ininterrupta? Faltou essa conta. Ponto a se repensar para o próximo festival.
Aliás, com um espaço tão grande, poderia ter sido criada uma enorme praça de alimentação central com dezenas de barracas e pontos fixos e móveis de venda de fichas. Nessa estrutura, caberiam muitas mesas, cadeiras e bancos onde a galera poderia se esparramar e aumentar a rede de amigos enquanto se alimenta. Nos pontos periféricos da arena, outros quiosques (do porte dos que funcionaram no SWU 2010) fariam o apoio.  
Segunda tentativa - 23h30 (11:30 PM)
Acaba o show do RATM e decidimos sair voados da Arena Maeda. Afinal, ainda não estamos devidamente alimentados e chegar rápido ao acampamento pode nos garantir um melhor lugar na fila da “loja de conveniência”. Na saída, ganhamos um montão de camisinhas. Não são da minha marca favorita, mas podem quebrar o galho depois que o nosso estoque acabar...
O caminho até o camping não é longo, mas o frio aperta. Aliás, faz um frio tão severo que o vento cortante me incomoda. O ar quente expelido de nossas bocas se transforma em fumaça ao entrar em contato com a temperatura externa. Mas estamos tão extasiados com o show do Rage e com tudo que vivemos nesse dia maluco que nem os “perhaps” nos incomodam mais. 
Chegamos à loja de conveniência onde uma turma de rapazes de Florianópolis nos conta sobre a aventura de ficar na pista premium. “Recebi cotoveladas e socos das pessoas desesperadas que queriam sair da muvuca. Pensei que fosse morrer”, revela um deles.
Ouvimos atentamente todas as histórias enquanto esperamos as doze pessoas na nossa frente serem atendidas. Também fico sabendo que houve B.O. na praça de alimentação. Insatisfeito com a demora, um rapaz teria entrado em uma das lojas e, com ajuda de outros, distribuído bebidas e comidas para a galera faminta do lado de fora. Mas isso eu não vi.
0h30
Chegamos, enfim, à barraca exaustos com seis pães de queijo, um suco e um chá gelados (ambos em lata), água em garrafa pet de 400 ml (a quatro reais) e um chocolate quente para “amortecer” o frio, embora eu deteste leite. Dentro da barraca gelaaaaada, vestimos roupas mais quentes e confortáveis.
Eu continuo batendo queixo quando Robinho então me cobre com tudo que levamos: cobertores, toalhas, roupas. Debaixo daquele amontoado de tecido, ligo o gravador para fazermos o balanço do primeiro dia de festival e rir das situações chatas e engraçadas que passamos. Aquecidos, exaustos e de barriga cheia depois do “lanchinho”, a gente agora tem fome é de registrar tudo que vivemos no SWU. O fim de noite, perfeito, foi ao som maneiro do DJ Marky que ouvimos ao longe vindo da tenda eletrônica.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Raiva contra a máquina capitalista!!!

Depois de uma ausência prolongada devido a problemas “técnicos” (muito obrigada a todos que sentiram a quebra da periodicidade do blog e me pediram insistentemente para voltar logo), retorno com todo vapor com mil histórias inéditas sobre a primeira edição do SWU!
Divulgação
Estrela símbolo do RATM

In Press
Vocalista Zack de la Rocha no SWU

09/10/10
10:20 PM (22h20)

Plantados poucos metros atrás da enorme e imponente grua central da Arena Maeda, eu e Robinho aguardamos ansiosos o show do Rage Against the Machine. Com a experiência de quem já assistiu a muitos grandes shows na vida (sem modéstia e humildade alguma, me desculpe), sei que devo ficar a uma distância segura da aglomeração, já que o ânimo da galera, acirradíssimo com o início iminente do show mais esperado da noite, aumenta o perigo de acidentes graves.
Em volta da grua, seguranças visivelmente aterrorizados tentam conter sem sucesso as grades que circulam o equipamento. Ao primeiro toque estridente e contínuo da sirene (tipo aquelas de campo de concentração nazista mesmo), uma enorme estrela vermelha aparece lentamente no telão e os primeiros acordes anunciam a chegada da banda.
Adrenalina e expectativa se transformam em uma mistura explosiva para os mais afoitos, que ignoram a presença dos seguranças e pulam as grades à procura de um ângulo melhor de visão do palco AR. Mais abaixo, vejo a multidão se juntando mais ainda e sei que aquela empolgação toda vai dar chabu na certa! Pouco tempo depois, o show é interrompido por causa da queda da divisória entre as pistas comum e premium.
Precavidos, eu e Robinho recuamos um pouco mais pra longe da multidão e, em seguida, a produção pede ao público que dê “três passos para trás”. O clima de tensão aumenta e, educadamente, todos atendem ao pedido, pelo menos onde eu estou. Depois de uma breve advertência de Zack the la Rocha, que pede para todos cuidarem uns dos outros, o show recomeça.
Há um fato curioso em shows como o do RATM, cujo estilo é definido pelo meu namorado como “punk rock nervoso com vocal de rap”. Além de acompanharem a fúria instrumental com chicoteadas corporais, os fãs pulam em bloco nos trechos mais empolgantes de cada música. Sei que isso não é nenhuma novidade para qualquer roqueiro, mas ver um monobloco cronometrado pulando é muiiiiiiiiitooooooo engraçado. Pior: eu faço parte desse monobloco e, a cada nova sessão pula-pula ritmada, Robinho “racha o bico” de tanto rir e até ensaia uma regência falando: “Atenção...É agora!!! Vai!!!”. E a boba alegre sorridente aqui saltita radiante. Aff...rsrs.
O show é interrompido bruscamente de novo! Dessa vez, a gente demora a entender o que aconteceu. Olhamos para o palco e vemos o vocalista empolgadíssimo cantando sozinho diante de caixas de som silenciosas pra nós. Ao perceberem a falha do som, as pessoas ao nosso redor começam a reclamar e a fazer piadas: “O som parou porque a energia solar acabou”, brinca o primeiro.
“É. O SWU só é sustentável para o bolso do Fischer. Como pode o som falhar num evento grande desse jeito!?!”, protesta o segundo. E o terceiro emenda: “Absurdo. É inadmissível uma coisa dessas”. De repente, em coro, toda a galera começa a gritar, repetidas vezes: “SWU, vai tomar no cu”. E a insatisfação toma conta da multidão revoltada.
O show re-recomeça (essa palavra é inventada mesmo) irado com a moçada entoando as frases de ordem do RATM que, poucas músicas depois, termina de vez a apresentação. E fica aquele gosto de quero mais. Pra nós, que estamos acampados, beleza. Viemos, vimos, gostamos e, apesar dos pesares, amanhã tem mais. Entretanto, penso em quem veio de longe só pra ver sua banda favorita que tocou pela primeira vez no Brasil no SWU. Em quem pagou viagem, ingresso caro, enfrentou filas e filas (pra chegar, pra entrar, pra comer, etc.) e viu um show que durou menos de uma hora! É a máquina capitalista que, em nome de uma boa causa (a bandeira da sustentabilidade), protagonizou a primeira - e, talvez, a maior - grande decepção do festival.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Do psicodélico ao alucinógeno

Obra da Mostra de Artes Visuais do SWU

09/10/10 – sábado
8:30 PM (20h30)
Depois da experiência psicodélica na tenda eletrônica, onde tive meu primeiro momento “queixo-caído” do SWU, resolvemos (eu e o Docinho) dar um pulinho no palco Novo Som para conferir o que rola por lá. No caminho, paramos para ver e fotografar uma linda obra da Mostra de Artes Visuais.  
A árvore com, sei lá, cerca de cinco metros de altura, parece montada com palitos gigantes de picolé usados. Praticamente ao lado ficam os recicleiros separando e prensando o lixo, que se transforma em montes de cubos gigantes cuidadosamente empilhados pouco após a estação de reciclagem.
A estação está montada em uma espécie de vagão de trem, uma ideia genial. Embora tenha achado o máximo a iniciativa, sinto um certo desconforto em ver a seguinte cena: de um lado, as pessoas parando para comentar e, de outro, os trabalhadores que servem de vitrine para a propaganda ambientalista do festival. Aparentemente, os recicleiros estão bem à vontade trabalhando sob o olhar do público, mas poucos curiosos se aproximam da estação para interagir e isso me deixa realmente incomodada.      
Bem menos charmosa que a tenda eletrônica, a estrutura montada para o palco Novo Som é também aconchegante. O público muda de novo. Pessoas mais velhas e um até um pouco austeras se misturam a abelhudos despojados e aos “bobos alegres” como nós (hehehe). Não estamos vendo direito o palco e a voz que ecoa das caixas de som não combina com o visual do vocalista. Pergunto:
- É homem ou mulher, amor?
- Também não estou enxergando direito, Docinho. Sei lá. Vamos ouvir mais um pouquinho.
A gente se encaixa entre as pessoas, avança um pouco em direção ao palco e leva um baita susto. Um branquelo careca está no centro da banda com uma voz aveludada de mulher. Entreolhamo-nos espantados. Ouvimos mais um pouco e tcharan: the show it’s over.
Ficamos lá de bobeira vendo a pista esvaziar até que resolvemos procurar alguma informação. Perguntamos pra um, pra outro e nada até que encontramos uma estrutura triangular cravada na arena com informações de todos os ambientes (Novo Som, palcos Água e Ar e tenda eletrônica). Enfim, descobrimos quem acabou de tocar: era a banda norte-americana de indie rock The Apples in Stereo. Nesse momento, enterro minha morta curiosidade. Afinal, a banda não é mesmo da minha área e eu nem gostei...Com a demora para a troca de palco, resolvemos voltar para a tenda eletrônica.
No meio do caminho, uma parada para ouvir o som de Los Hermanos. Que os fãs me perdoem, mas eu e o Robinho torcemos o nariz para aquela musiquinha melancólica. Já na entrada da tenda, decidimos comer na praça de alimentação ao lado. Mas isso eu conto outra hora, tamanho o pesadelo.
9:20 PM (21h20)
Descemos para o palco Água, onde o The Mars Volta manda ver. Ouço uma, duas músicas e sou arrebatada por aquela melodia alucinógena. Meu namorado, que obviamente já conhecia de longa data o som da banda, observa meu queixo caído no chão. De repente, completamente extasiada com aquela sinfonia de sentidos, reflito alto:
- Amor, por que tem gente que usa drogas se existe um som assim? Essa música é maravilhosa!
Ele vira pra mim e sorri. Afinal, é o único responsável por eu estar no SWU experimentando novas musicalidades. A tradicional headbanger do Heavy Metal, fanática por guitar e vocal heros, agora encantada por uma banda de rock alternativo-progressivo-experimental-psicodélico-alucinógeno. Se o The Mars Volta, eu vou pra Marte!

Hoje, comemoro um mês do show do The Mars Volta e do RAGEEE, meu próximo post!!

domingo, 7 de novembro de 2010

A tenda da diversidade

Interior da tenda eletrônica no SWU no sábado, dia 9

Realmente, a foto não traduz a beleza do lugar...

Eu e Robinho na tenda eletrônica: deslumbre

Principais cores da coleta seletiva de lixo


09/10/10 - sábado
8:15 PM (20h15)
Acaba o show do Mutantes e voltamos novamente a fazer o “reconhecimento do território”. Damos uma olhada geral na Arena Maeda e resolvemos subir para a tenda eletrônica. O que mais chama a atenção no trajeto é o comodismo da galera.  Vejo latas, papéis e garrafas plásticas no chão por toda parte. Gente urinando fora dos banheiros justamente na divisão entre a pista comum e uma das áreas de alimentação da pista premium, que ganha uma incômoda e fétida trilha de xixi a céu aberto. Enquanto isso, outras pessoas, muitas mesmo, abrem uma clareira na cerca viva que divide os ambientes simplesmente para cortar uma voltinha.
Observo os latões esparramados pela arena, mas a quantidade é nitidamente insuficiente. Na praça de alimentação, ao lado da tenda eletrônica, eles transbordam lixo; em outros locais, alguns escuros, estão mal localizados. Percebo que a organização do festival perde uma chance incrível de educar essa moçada.
Só porque o patrocinador da única bebida alcoólica existente no festival é uma cerveja estrangeira (que, aliás, eu adorava degustar nos tempos ebriosos de outrora), cuja lata verde custa SEIS REAIS, todos os latões de lixo têm que ser verdes também? Vejamos. Que eu saiba, verde é a cor para a coleta de vidro, material inexistente nos vasilhames de comes e bebes servidos no SWU.
Então, por que não colocar latões vermelhos para a coleta do plástico, azuis para papel e papelão, marrons para lixo orgânico (resto de comida mesmo) e amarelos para as latas de metal? Inclusive, com material lúdico explicando como e por quais motivos convencionaram-se essas cores para a coleta seletiva de lixo, de acordo com a resolução do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) sobre o assunto... Chegamos à tenda eletrônica que, mesmo simples, é verde e linda! Uma estrutura inteligente, com iluminação extasiante que reflete, nas laterais e no gigantesco globo plástico (de plástico mesmo!) disposto ao centro do recinto, as mais diversas figuras em cores reluzentes. Ao som maravilhoso do grupo canadense MSTRKRFT (leia em voz alta aí, vai...rsrs), a galera balança, pula, ou só deixa corpo pender de um lado para o outro, sem sair do lugar. 
Robinho fica loucamente apaixonado pelo lugar. Embora não seja muito chegada à música eletrônica, gostei do som e principalmente do aconchego, pois a temperatura aqui é oposta ao frio cortante na Arena. Outro contraste interessante – além do bem-vindo aumento da temperatura ambiente – são as pessoas. Diferentemente do maciço público heterossexual visto em frente aos palcos Água e Ar, aqui, a diversidade sexual é ilimitada. Legal isso. Aliás, é muito legal estar num lugar como o SWU, com público tão diversificado. Metaleira de carteirinha e acostumada apenas aos “camisas pretas”, essa nova experiência tem sido, no mínimo, curiosa para mim. Up the Irons!!!

Próximo post. Os shows alternativos do palco Novo Som e o som alucinógeno do The Mars Volta. Preparação para o RAGEEEEE!!!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A gente se "top top", mas se diverte!

Foto: Jorge Rosenberg
E todo mundo canta e "gesticula" com Top Top dos Mutantes 


Em respeito ao feriado de Finados, o blog deu uma pausa de dois dias. Voltamos agora com gás total!!!

09/10/10 - sábado
5:20 PM (17h20)
Depois de um tempo morgando na barraca, de onde se ouvia nitidamente o som do Infectious Grooves   rolando na Arena Maeda, Robinho se levanta e diz que vai tomar banho. Mesmo descrente, assinto com um leve movimento da cabeça e fico na barraca me arrumando.
Como boa mulher prevenida que sou, além da parafernália básica de higiene pessoal, levei um pacote grande de lenços íntimos umedecidos. Em quatro dias de banhos cronometrados, tenho certeza de que esses lenços me serão muito úteis.
Após o “banho de gato” regado a lencinho perfumado, começo a maquiagem afobada. Não há iluminação suficiente no acampamento e, logo, a luz natural vai acabar de vez. Em seguida, volta o namorado novamente desanimado.
- A fila no banheiro tá grande demais, docinho. Não dá não.
- Paciência, querido. Use os lenços higiênicos e me dê um tempinho para acabar a maquiagem, pois já tá ficando escuro - respondo, usando um espelho ridiculamente pequeno apoiado sobre o travesseiro.
Maquiagem completa, com direito a delineador, rímel, iluminador e pó compacto, levanto num sobressalto e falo: “Vamos?”
6:00 PM (18h)
Conferimos ingressos, carteira, documentos e máquina fotográfica, fechamos a barraca e nos despedimos da simpática monitora do camping que, ao me ver arrumada, solta um: “Uau!!! Que transformação, hein?”
Abro parênteses para falar da moça, que prefiro não revelar o nome aqui. Ex-estudante de Turismo, a poliglota (ela fala quatro idiomas, além do português) cursa agora Gastronomia e me conta como foi selecionada para o posto, mas não o salário pelos dias de trabalho no evento.
Ao conversarmos um pouco mais cedo, ela revela algumas mazelas da organização relacionadas ao desencontro de informações, mudanças repentinas de regras, contra-ordens desgovernadas. Por isso, ela não sabia dar uma série de informações pois, quando afirmava que algo funciona de tal forma, esse algo já havia mudado ou nem existia mais. Difícil, hein?
6:15 (18h15)
Observada de perto por um repórter do Jornal Extra, do Rio de Janeiro, resolvo perguntar ao segurança na saída do camping onde fica o setor de “achados e perdidos”, quando ouço uma resposta surpreendente: “Boa pergunta essa sua”.
Atencioso, ele me pede para esperar e transfere a pergunta via walkie talkie para a produção, que simplesmente o enrola bastante tempo do outro lado.
De repente, chega a jornalista Gabriela Lian, do Profissão Repórter, que se posiciona em frente à tenda apelidada de Big Brother ao vivo, pois no recinto ficam os monitores das câmeras de vigilância do camping mostrando a galera conversando, fumando um baseado, essas coisas de praxe em eventos como esse...rsrs
Enquanto espero a resposta da produção, me aproximo da moça, me apresento como jornalista e pergunto a ela qual é o gancho do programa sobre o SWU. Meio desatenta, ela solta apenas que o programa vai focar os jovens e comento, rindo: “Então, infelizmente não faço parte dessa pauta”.
Em seguida, a tiete aqui pergunta se o Caco Barcellos está na Arena e ela me responde que ele chega amanhã, meio querendo me despachar. Resolvo deixar a moça (que me pareceu meio chatinha e até um pouco antipática) de lado, agradeço e me dirijo até o segurança para obter minha informação.
O segurança volta a perguntar para a produção sobre o “achados e perdidos” sem, novamente, obter resposta. Enquanto isso, o repórter que me observava começa a puxar papo. Conto a ele o que havia passado até aquele momento: as filas, o problema na entrada do fórum, o preço da comida e, sobretudo, a DESINFORMAÇÃO que, inclusive, ele presencia ali. Ele me pede nome, idade e profissão e pergunta se pode publicar o meu relato. Sem titubear, afirmo: “Claro, colega. Ipsis litteris, se quiser”.
Mais à frente, está meu namorado de cara amarrada esperando. Não tem jeito. Vou embora sem receber a resposta sobre o “achados e perdidos” e sem nunca mais encontrar minha jaqueta verde militar que “perdi” no setor de credenciamento do Fórum.
6:45 (18h45)
Passamos por duas revistas chatinhas na entrada da Arena, mas nem doeu (risos). De mãos dadas, seguimos apressados em direção ao palco Água. De sorriso aberto e olhos mais abertos ainda, Robinho fica maravilhado com o tamanho do lugar, dos palcos, de tudo.
Reencontro meus alunos Diego Aragão  e Michelle Parron que procuram o maluco do Pino (Mateus Scandar, outro aluno). Não preciso dizer que, em meio a 50 mil pessoas, nem achei o Pino ou voltei a ver algum outro aluno, né?
Tudo nos parece deslumbrante, inclusive o maravilhoso show dos Mutantes , que começou há pouco. Nunca havia visto antes um show dessa banda e nem essa moça linda, grávida de oito meses, com voz de sereia, que só depois soube que se chama Bia Mendes.
A gente não sabe se fica parado vendo o show ou se continua andando para conhecer a Arena. Estamos iguais a crianças no parque indecisas sobre em qual atração brincar. De repente...Lahiiiiiii...Lahhiiiiiiiii....Lahiiiiii...Lahhhiiiii. A gente para e começa a dançar e cantar.
Não tem jeito mesmo. A gente se “top top”, mas se diverte! Uh!

No próximo post, mais da primeira noite de shows.









domingo, 31 de outubro de 2010

A verdade inconveniente e o “santo” helicóptero

Foto tirada de dentro da barraca, com vista para o lado direito dela. A torneira no canto inferior esquerdo, que poderia ser um ponto de água, é "cenográfica", tá?


                                          Foto tirada do interior da barraca

09/10/10 - sábado
2:55 PM (14h55)
Meu namorado me relata que foi conhecer a tal loja de conveniência do camping e ficou desolado. No lugar onde deveria existir uma LOJA DE CONVENIÊNCIA de verdade, com alimentos variados, itens de higiene e perfumaria (para aqueles que se esqueceram de levar, por exemplo, um sabonete na bagagem), alguns remédios comuns – como analgésico e antiácido para os bebuns de plantão –, entre outros produtos básicos para um campista de primeira viagem, há uma pequena lanchonete com poucos itens e muitos clientes. Resultado: ele enfrentou uma fila de uma hora para comprar um lanchinho a preço de um almoço bem servido.
Por R$26, ele comprou dois chás gelados em lata, um hot dog, um crepe e dois pães de queijo...
- Mas tudo isso, amor? E aí?
- E aí que fiquei puto. Tô com fome de comida e eles me disseram que restaurante de verdade só existe no pesqueiro, a alguns quilômetros a pé daqui. Tem o tal do trenzinho que leva a galera, mas não sei direito ainda a hora em que ele circula por aqui. E o tal ponto de energia não passa de mais uma tendinha com várias tomadas e gente sentada cochilando e conversando.
Meio ressabiada com as primeiras informações recebidas sobre o nosso lar temporário, e na tentativa de deixá-lo um pouco mais animado, tiro o tênis, entro na barraca e elogio a arrumação. Afinal, enquanto muitos têm apenas um saco de dormir (sleeping bag), nós dois levamos um colchão de casal de verdade!!! Em seguida, pego uma lata de chá gelado, pero no mucho, um pão de queijo e dou uma mordida naquele cachorro-quente seco (detesto comida sem molho).
Depois de comer, o convite:
- Querido, você quer dar uma descansadinha?
O desânimo dá lugar a uma carinha sapeca de menino levado e eu fico apreensiva. Afinal, além de nunca ter acampado na vida, nunca dormi numa barraca e, obviamente nunca, digamos, “namorei” em uma barraca. E se ela balançar? E se os outros nos escutarem? Pior: e se eu (nós, sei lá) for advertida pelo pessoal da segurança do acampamento? Eu morro de vergonha!
Em minutos, outros pensamentos me povoam a mente: “Que bobagem da minha cabeça oca! Só uma idiota como eu para acreditar que existe alguém ali, no meio do acampamento, interessado no que fazemos ou deixamos de fazer dentro da nossa barraca. A galera tem mil coisas pra curtir, em vez de ficar incomodada com dois coroas namorando. E o pau já tá quebrando lá na Arena agora, pois tem show rolando...”.
O sol ardia e a barraca parecia uma estufa regada ao aroma do perfume floral que eu usava misturado a outros odores interessantes e um tanto exóticos, como o cheiro fresco das frutas que levamos.
Um tanto tensa, deixava a coisa rolar “naturalmente”. Na hora agá, fui salva pelo barulho insistente da hélice de um helicóptero que rondava a arena e os acampamentos. O danado estava passando justamente em cima da nossa barraca. Santo helicóptero!

Obs: para reclamar da estrutura do acampamento premium uso, em parte do título deste post, Verdade Inconveniente, nome de um documentário homônimo, produzido em 2006, nos Estados Unidos. Dirigido por Davis Guggenheim e “estrelado” pelo ex-vice presidente norte-americano Al Gore, o documentário aborda o aquecimento global.

No próximo post, vamos curtir a primeira noite de shows...



sábado, 30 de outubro de 2010

Se sair, não entra. Se entrar, não sai...

Foto: Robson Pimenta
                     O mar de barracas. Vista de onde estávamos em relação à entrada do camping premium

09/10/10 - sábado
2:34 PM (14h34)
Pouco antes do encerramento do primeiro dia do Fórum Global de Sustentabilidade, me dá vontade de ir ao banheiro. Nesse momento, recebo a informação absurda de que, se sair, não posso mais voltar. Incrédula, lamento, respondendo que tenho mesmo que ir ao banheiro, e deixo o Fórum.
Depois de me livrar do xixi no banheiro químico exclusivo dos participantes do fórum (e, portanto, limpinho, limpinho), saio voada. Os shows já vão começar e não sei o que o Robinho quer fazer: se vamos para a Arena, se vamos almoçar...
Na verdade, estou curiosa para ver como ficou a barraca depois de arrumada, para conhecer a tal loja de conveniência 24 horas do camping, para inspecionar as instalações do banheiro de banho, enfim, para ver a estrutura geral do acampamento e, se possível, descansar um pouco. Também quero saber como ele se virou lá sem mim, mas acredito que ele vai estar sossegado, feliz e satisfeito, espero.
Vejo a movimentação da Arena e olho de longe algumas instalações de arte, os palcos e fico morrendo de vontade de dar uma voltinha. Mas não posso agora. Tenho mesmo que voltar até o camping. Apressada, procuro uma saída e sou informada por um segurança soberbo e de ar nababesco que, se sair da arena, não poderei mais retornar. A empáfia do sujeito me incomoda e esbravejo reproduzindo, em grau muitíssimo inferior, a arrogância do indivíduo.
- Como assim, não posso retornar? Querido. É o seguinte. Olha meu braço (mostro a pulseira laranja brilhante afivelada no pulso direito). Eu estou instalada no acampamento e, por isso, tenho ingresso para os três dias de show. Agora, me fala por qual portão eu posso sair.
- A senhora não pode sair. A senhora não é convidada do fórum? Agora, tem que permanecer na arena, se quiser assistir os shows - insiste o homem, com olhar de desprezo.
- Acho que você é que não está entendendo ou não recebeu as instruções certas. Eu vou sair daqui AGORA e vou voltar na hora em que eu quiser até porque você não pode me cercear no direito de ir e vir. Então, por favor, me informe onde fica a saída para o camping?!
Tentando se livrar de mim, ele me aponta outro segurança de terno preto próximo ao portão por onde entrei e me diz, como se eu fosse uma criancinha da primeira série do Ensino Fundamental:
- Tá vendo aquele cara alto lá? Ele é o nosso chefe. Se ele disser que você pode sair por aqui, eu deixo.
Ando até o segundo segurança que, como o primeiro, diz que não posso sair. Sem saber o que fazer, vejo um soldado do corpo de bombeiros e peço ajuda. Afinal, acredito no preparo da corporação em qualquer parte do país onde eu estiver, além de admirar muito a profissão deles.
Muito educadamente, ele conversa com o porteiro da entrada de convidados do fórum que, enfim, me deixa sair. Solto um olhar fulminante para os dois seguranças, que acompanham aquela cena ridícula, agradeço a gentileza do bombeiro e do porteiro e volto pro camping rapidamente.
2h55 PM (14h55)
Ao chegar ao acampamento, encontro meu namorado sentado na grama ao lado da barraca desanimado, roendo um cachorro-quente sem molho, e segurando um lanchinho sem graça pra mim... Mas essa é uma outra história...

Amanhã, conto algumas “surpresas” agradáveis e desagradáveis que tivemos no camping e os primeiros lances sobre os shows da primeira noite do Festival SWU.